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Explicação Genética


Fibrose Cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva, com incidência variável de acordo com a população estudada, sendo razoável a incidência de um para 2500, com freqüência de um portador do gene em 40 pessoas nesta raça. A doença é pouco freqüente na raça negra um para 17 mil negros americanos e rara em orientais:um para 90 mil.  Apesar disso a fibrose cística ocorre em todas as raças. No Brasil, os estudos realizados por Raskin (1993) em cinco Estados do Sul e Sudeste estimam um incidência menor: um par 10 mil casos. O gene da FC está localizado no cromossoma 7, braço longo, locus q 31, exon 10 e codifica uma proteína de 1480 aminoácidos, denominada CFTR.  Uma deleção de três pares de bases no gene FC acarreta a perda de um resíduo de fenilalanina na posição 508 na proteína (^F 508) e esta mutação está presente em cerca de 70% dos cromossomos FC no norte da Europa e Estados Unidos.  A freqüência da mutação ^F 508 é variável, no Brasil, Raskin (1993) encontrou esta deleção em 47% (180/380) dos alelos FC examinados, de pacientes do Sul e Sudeste. No organismo, a proteína CFTR se localiza nas superfícies apicais das células epiteliais e é um canal de cloro, embora haja possibilidades de que tenham outras funções, além da condutância do íon através das membranas epiteliais das células. O canal CFTR-cloro é regulado por fosforilação de sítios da região (R) e ativado pela ação direta do ATP nos nucleotídeos (NBFs), o que permite a “abertura do canal” e fluxo do íon. Os mais altos níveis de expressão do gene são encontrados no pâncreas, glândulas salivares, sudoríparas e intestinais e no trato reprodutor. Surpreendentemente, a CFTR normal se expressa em muitos baixos níveis na superfície dos epitélios brônquicos e, em contraste, altos níveis de expressão são encontrados nos túbulos serosos das glândulas submucosas.

Manifestações Respiratórias


 

Embora FC seja uma doença genética, afetando células epiteliais de múltiplos órgãos, é o trato respiratório que está associado a maior morbidade. A falência respiratória é a causa de morte em mais de 90% dos casos.

A anormalidade do canal e transporte iônico já estão presentes ao nascimento, porém os pulmões são estéreis e normais ao exame macro e microscópico.

As alterações iniciais ocorrem nas pequenas vias aéreas, com progressão para as vias maiores. Tampões mucopurulentos, infiltrado inflamatório, hipertrofia de glândulas submucosas e metaplasia epitelial já podem ser observados em necrópsias aos quatro meses de idade.

O quadro progride para bronquiectasias; há envolvimento do parênquima, porém em menor graque nas vias aéreas. A maioria dos sintomas já ocorre no primeiro ano de vida, sendo que os mais freqüentes são tosse, taquipnéia e sibilos.

O sintoma mais freqüente é a tosse e os lactentes podem apresentá-lo somente em vigência de doenças virais; mas poderão desenvolver tosse diária, comumente mais freqüente pela manhã, paroxística e muitas vezes associada a vômitos.

A febre por infecção bacteriana pulmonar é incomum.

O quadro descrito é facilmente confundido com outras doenças respiratórias.

Com a progressão da doença respiratória vários diagnósticos são habitualmente estabelecidos, muitos deles já resultantes de complicações.

Nas crianças maiores, a tosse é geralmente sucedida por expectoração mucopurulenta, abundante e viscosa, principalmente nas exacerbações pulmonares.

Os seios da face estão afetados em mais de 90% dos pacientes com FC, comprometendo principalmente os seios etmoidais e maxilares.

Pólipos nasais também são freqüentemente encontrados, com incidência variável (10% a 32%), podendo acarretar obstrução nasal ou serem assintomáticos. Otite média secretória tem sido descrita com maior freqüência na FC em algumas séries, porém isto é discutível.